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terça-feira, 22 de abril de 2014

O Brasil não foi descoberto, ele foi invadido e colonizado de forma brutal

Hoje completa-se 514 anos que os portugueses chegaram ao Brasil. Dentre a comitiva de Pedro Álvares Cabral havia um escrivão chamado Pero Vaz de Caminha, responsável por relatar a viagem.

A carta que apresento abaixo foi escrita por Caminha entre 26 de abril e 2 de maio de 1500, ou seja, poucos dias após a chegada ao Brasil. A missiva continha 27 páginas e apresentava o olhar de seu autor.

Se ficarmos nisso, teremos uma leitura equivocada da chegada e da ação colonizadora do país europeu. Este olhar precisa ser confrontado com os olhares de muitos que sofreram com a chegada destes visitantes de além mar. Na época eram  de 5 a 6 milhões de olhares, hoje restam apenas  cerca de 896 mil segundo dados do Censo 2010. Esta população está distribuída em 305 etnias que falam cerca de 274 línguas diferentes. 

Desde a chegada dos portugueses desapareceram 1.200 línguas indígenas e com elas o seu povo. Daquela primeira carta escrita por Caminha para hoje, temos muitas histórias que não coadunam com a expressão DESCOBRIMENTO DO BRASIL. Na realidade, os portugueses e depois as muitas gerações que viveram e vivem neste país não souberam respeitar e preservar os muitos "BRASIS" dos nativos daqui. Houve exploração no passado e existe exploração hoje.

Passados 514 anos, podemos afirmar com muita segurança que esta terra não foi descoberta, mas sim invadida e colonizada de forma brutal. Do olhar romântico de Caminha naquela primeira semana, não sobrou nada, se não o registro de sua carta. 

Leia abaixo a carta de Pero Vaz de Caminha:

Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer.
Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo:
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