Hoje completa-se 514 anos que os portugueses chegaram ao
Brasil. Dentre a comitiva de Pedro Álvares Cabral havia um escrivão chamado Pero
Vaz de Caminha, responsável por relatar a viagem.
A carta que apresento abaixo foi escrita por Caminha entre
26 de abril e 2 de maio de 1500, ou seja, poucos dias após a chegada ao Brasil.
A missiva continha 27 páginas e apresentava o olhar de seu autor.
Se ficarmos nisso, teremos uma leitura equivocada da chegada
e da ação colonizadora do país europeu. Este olhar precisa ser confrontado com
os olhares de muitos que sofreram com a chegada destes visitantes de além mar. Na
época eram de 5 a 6 milhões de
olhares, hoje restam apenas cerca de 896
mil segundo dados do Censo 2010. Esta população está distribuída em 305 etnias
que falam cerca de 274 línguas diferentes.
Desde a chegada dos portugueses desapareceram 1.200 línguas
indígenas e com elas o seu povo. Daquela primeira carta escrita por Caminha
para hoje, temos muitas histórias que não coadunam com a expressão
DESCOBRIMENTO DO BRASIL. Na realidade, os portugueses e depois as muitas
gerações que viveram e vivem neste país não souberam respeitar e preservar os muitos
"BRASIS" dos nativos daqui. Houve exploração no passado e existe exploração hoje.
Passados 514 anos, podemos afirmar com muita
segurança que esta terra não foi descoberta, mas sim invadida e colonizada de
forma brutal. Do olhar romântico de Caminha naquela primeira semana, não sobrou
nada, se não o registro de sua carta.
Leia abaixo a carta de Pero Vaz de Caminha:
Senhor:
Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer.
Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo: